Por causa das exigências do mercado de trabalho, a busca por qualificação profissional cresceu significativamente no Brasil nos últimos anos. Dessa forma, a necessidade de especialização contribuiu para o aumento das matrículas nas instituições de ensino superior.

No entanto, algumas pesquisas com dados do MEC (Ministério da Educação) mostram que o número de alunos que trancam matrícula ou desistem do curso é bem maior do que o de pessoas que concluem a graduação.

Nos últimos 10 anos, a taxa de evasão escolar do ensino superior do brasil manteve uma média de 21%. Essa taxa é assustadora, porém, quando olhamos para os valores absolutos o número, o choque é ainda maior. Cerca de 900 mil alunos abandonaram a faculdade nesse período.

Pensando nos custos que cada aluno representa para a IES, seja ela pública ou privada, e multiplicando por 900 mil, percebemos o tamanho do problema para os gestores e instituições.

Para esclarecer as dúvidas mais recorrentes sobre o assunto, bem como apresentar algumas soluções, selecionamos esta lista com os 6 fatores que mais influenciam na evasão escolar no ensino superior. Confira:

O que provoca a evasão escolar no ensino superior? 

 

1. Baixa qualidade do ensino médio

 

Com certeza, a baixa qualidade da educação básica pública brasileira é um dos principais fatores para a evasão escolar no ensino superior. Esse fato contribui para que alguns alunos, ao ingressarem na faculdade, sintam dificuldades nas matérias que exigem um aprofundamento de aprendizagem que deveria ter sido trabalhado no ensino médio.

É comum encontrar estudantes que tenham tido pouco ou nenhum embasamento durante o ensino médio, principalmente nas disciplinas da área de exatas. Isso faz com que esses alunos apresentem uma defasagem no conteúdo passado pelo professor.

Por isso, é importante o investimento em programas de nivelamento. Esses programas propiciam o conhecimento básico das disciplinas que serão fundamentais para o seguimento no curso.

Também é importante que os gestores trabalhem com os resultados obtidos no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Por meio dele, é possível observar quais são as maiores dificuldades dos estudantes e, dessa forma, saber quais devem ser os pontos de melhoria.

2. Inadimplência

 

Por muitos alunos não conseguirem dinheiro suficiente para pagar as mensalidades, a desistência por inadimplência é constante.

É inegável que o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e o Prouni (Programa Universidade Para Todos) são programas que contribuem para o acesso de novos alunos aos cursos superiores. Mesmo assim, ainda podemos considera-los como excludentes, já que, o aluno depende do seu desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Para atrair e reter alunos, cabe aos setores financeiros das instituições colocar em prática estratégias de financiamentos, bolsas e descontos da própria faculdade, além de opções de cursos financeiramente mais acessíveis.

No entanto, mesmo com a questão das mensalidades solucionada, há outros gastos com que os alunos precisam se preocupar, como a compra de materiais. Por isso, é preciso pensar em estratégias que diminuam o custo dos alunos com xerox e livros. Uma boa saída seria o fornecimento de um acervo de materiais digitais, por exemplo.

3. Estagnação do método de ensino

 

A maneira de aprender difere consideravelmente de uma pessoa para outra. Dessa forma, quando os professores fazem apenas aulas expositivas, muitos alunos têm mais dificuldades na absorção dos conteúdos.

Além disso, o método de ensino tradicional, com a aplicação de avaliações rigorosas, muitas vezes não apresenta os resultados esperados e acabam desmotivando o estudante.

É por isso que as discussões sobre novos métodos de ensino devem ter destaque. É indispensável que, ao fazer o planejamento acadêmico, uma das prioridades seja justamente a de despertar o interesse do aluno.

Algumas formas de se alcançar esse objetivo são os debates em sala de aula e o uso de tecnologias (vídeo-aulas e documentários, por exemplo). Também é preciso ter um olhar mais crítico sobre o grau de dificuldade da grade curricular e adequá-la aos estudantes, se for necessário.

4. Indisponibilidade de tempo

 

Um motivo típico da evasão escolar no ensino superior é dificuldade de conciliação do trabalho com os estudos. Por causa da falta de tempo ou por necessidades financeiras, muitos alunos preferem abandonar a faculdade.

Tendo isso em vista, é necessário considerar a possibilidade de disponibilizar uma carga horária maior para aulas virtuais e oferecer mais opções de EAD (Ensino a Distância) e tecnólogos. Esses cursos possuem menor carga horária e são mais acessíveis.

Assim, o aluno terá maior flexibilidade para acompanhar as aulas e fazer as atividades, o que é benéfico para a instituição e para o graduando.

5. Motivos pessoais

 

Além da conciliação com a rotina de trabalho, podem surgir outras questões pessoais que contribuam para as desistências, como gravidez, doenças ou problemas familiares. De fato, não há como prever nem evitar essas questões, mas a instituição pode oferecer opções para que a continuidade dos estudos.

Nos casos de gestação, existe na lei a garantia de que estudantes grávidas sejam assistidas em casa, quanto às faltas, trabalhos e atividades. Isso não é de conhecimento de todas, mas pode ser informado pela instituição.

Mediante a apresentação de um atestado médico, os alunos com problemas de saúde também podem fazer determinadas atividades em casa.

Algumas faculdades oferecem serviços de assistência psicológica aos estudantes, com terapias que ajudam a lidar com problemas como a depressão. Assim, os alunos se sentem mais acolhidos no ambiente acadêmico.

6. Não identificação com o curso

 

A desistência também pode ocorrer também devido a não identificação do aluno com o curso escolhido. Talvez porque os primeiros períodos geralmente apresentem conteúdos mais básicos ou então o estudante não tem certeza de qual área deseja seguir.

Para ajudar o graduando a descobrir sua área de interesse, a instituição pode realizar testes vocacionais. Esses testes mostram as opções que o aluno terá no mercado de trabalho e também se ele possui aptidão para aquele curso. Assim, é possível um distanciamento entre o que é visto na faculdade e o que é esperado da carreira.

Se aquele curso não for do interesse do aluno, a instituição deve trabalhar com a reopção. Essa alternativa dá a oportunidade de uma transferência interna, para que o estudante mantenha se mantenha na mesma faculdade, mas em outro curso.

Não basta apenas atrair o aluno para estudar em uma instituição de ensino. Mais do que isso, é preciso mantê-lo oferecendo um ensino de qualidade. Só assim um curso superior se torna referência no meio.

 

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