A modalidade de aprendizagem a distância é um dos segmentos de ensino que mais cresce no Brasil. A exigência do mercado por melhor qualificação profissional e medidas tomadas pelo Ministério da Educação (MEC) para ampliar a oferta de cursos superiores nesse formato são dois fatores que têm contribuído substancialmente para o progresso desse nicho. Por essa razão, o engajamento em EAD é um desafio para as IES na corrida pela excelência nos resultados e retenção dos alunos.

Ainda, após a portaria 1.134 do MEC (outubro/2016), a graduação presencial foi autorizada a inserir automaticamente a modalidade a distância em até 20% da sua carga horária total e criar novos cursos.

Antes, era preciso esperar que o curso presencial fosse reconhecido, o que leva até dois anos. Essa prerrogativa facilitou a aplicação do chamado ensino híbrido, que divide as atividades presenciais com o uso de tecnologias facilitadoras do estudo a distância.

De acordo com o MEC (2017), de 2015 para 2016 a procura por cursos EAD no ensino superior aumentou 7,2% e correspondeu a cerca de 20% do total de ingressantes nas universidades. Ademais, quase 3 milhões de pessoas matricularam-se em cursos EAD livres corporativos e não corporativos (Censo EAD Brasil 2016).

Motivação é a chave para o engajamento em EAD

Um dos grandes desafios para a modalidade EAD é conter a quantidade de abandonos. Maia (2007) diz que a evasão é a desistência do aluno em completar o curso, independentemente se participou das aulas ou não, ou seja, aquele que desiste do curso em qualquer etapa.

O grande diferencial da modalidade a distância em relação à presencial é a aprendizagem ativa, por meio do uso de plataformas digitais, e a flexibilização do estudo de acordo com o ritmo e o tempo disponível do aluno. A internet, pois, torna-se mecanismo fundamental, e a relação do estudante com os recursos digitais estreita-se.

Com isso, o ambiente virtual de aprendizagem torna-se o principal meio de interação entre o aluno e a instituição. Sendo assim, todos os envolvidos no desenvolvimento do projeto educacional precisam estar alinhados à concepção pedagógica pretendida pela universidade e desenvolver mecanismos que garantam a motivação do aluno a se manter ativo no aprendizado.

De acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), no primeiro módulo é onde ocorre a maior taxa de evasão (aproximadamente 48,1%). Esse momento, em especial, é pautado pela ansiedade de um ambiente de aprendizado alternativo à sala de aula tradicional.

A desistência se dá por fatores diferentes de instituição para instituição, mas abrangem motivos pessoais e razões inerentes à IES promotora do curso. Com isso, para traçar estratégias de retenção desses alunos, as IES precisam mapear as causas que levam à perda de interesse e, por conseguinte, ao abandono.

Para Araújo, Marchisotti e Oliveira (2016), razões pessoais e causas externas, referentes ao curso e à instituição, levam à desistência. Existem algumas situações mais frequentes que resultam na evasão dos cursos EAD. Segundo Diniz (2013), algumas delas são:

  • o aluno não tem perfil para o estudo a distância (administração do tempo, disciplina, domínio do computador, internet, plataforma, participação nos fóruns de debate);
  • relacionamento com tutores e professores;
  • ter mais de 30 anos;
  • dificuldades para participar de encontros presenciais;
  • professores que não dominam a tecnologia e têm dificuldade de elaborar tarefas para os alunos de EAD;
  • sensação de falta de apoio acadêmico e administrativo.

Ações para reduzir o abandono dos cursos

Bittencourt e Mercado (2014) sugerem que é necessário o estabelecimento de políticas a fim de conter os altos índices de evasão em cursos EAD. É preciso que os gestores compreendam e trabalhem as dificuldades e incertezas do aluno com relação ao curso.

A partir das reflexões sobre os fatores que levam à evasão em EAD na sua IES, os gestores devem desenvolver ações que garantam não apenas a matrícula dos alunos até o fim do curso, como também sua participação genuína.

Mallman (2012) aponta algumas ações com o objetivo de minimizar as taxas de abandono. Entre elas, destacamos:

  • Acompanhamento pedagógico contínuo de alunos calouros por meio de monitores;
  • Utilização de novas metodologias e tecnologias;
  • Aperfeiçoar a formação docente para o uso de novas ferramentas de aprendizagem;
  • Integrar as disciplinas para desenvolvimento de projetos em equipe.

Indo além, para que essas ações funcionem é preciso entender que motivar o aluno a permanecer matriculado e atuante significa engajar todos os envolvidos no projeto educacional: professores, equipe multidisciplinar, especialistas em TI e desenvolvimento de páginas web, conteudistas, tutores presenciais e online, entre outros que a IES julgar importantes, sempre alinhados à concepção pedagógica do curso.

Trata-se de um complexo projeto de comunicação, cujo objetivo é transpor as barreiras geográficas e psicológicas para o aprendizado.

Estratégias para eficiência da metodologia em EAD

Construções colaborativas

A colaboração é uma importante base para o engajamento do aluno, portanto estimular sua produção é indispensável. Além das participações de chats e fóruns, que já são algo comum, outras ferramentas também podem ser utilizadas para a entrega dos conteúdos.

Integração de recursos digitais variados

A quantidade de recursos digitais ao alcance do aluno hoje permite que os conteúdos sejam apresentados de maneiras bastante atraentes. Assim, o aluno consegue definir seu ritmo de aprendizado, sem prejudicar a assimilação de conteúdo.

Criar comunidades nas redes sociais, como o Facebook, dá a oportunidade de o aluno interagir de onde estiver, sem afetar sua rotina de outras atividades. Eventos como hang outs ou lives com os tutores são formas de estimular a colaboração e o trabalho em equipe, além de aumentar a sensação de pertencimento – nesses casos, o aluno também tem facilidade de interagir e, se não estiver no momento, pode assistir ao conteúdo depois.

Gamificação

Do inglês gamification, essa estratégia utiliza recursos de jogos em ambientes reais. Por isso, a plataforma de estudos precisa permitir que o aluno trilhe seu próprio roteiro exploratório – como se estivesse desvendando um enigma ou entrando numa caça a um tesouro. Separar o curso por categorias e inserir conteúdos extras são formas excelentes de aplicação desse conceito.

Os jogos suscitam ações por parte dos jogadores. Em EAD, não é diferente. Estimular o aluno a realizar uma tarefa é uma forma de ampliar o engajamento. Isso pode acontecer, por exemplo, com a criação de eventos e encontros ao vivo como os citados acima.

E como todo bom jogo, deve haver um sistema de recompensas a cada etapa concluída. O departamento de marketing pode auxiliar a coordenação do curso nas melhores formas de valorizar o desempenho do aluno. Algumas IES chegam a dar descontos nas mensalidades aos alunos que se saírem melhor.

Personalização do ambiente de aprendizagem

Aqui entra a expertise de profissionais de UI Design (Design de Interface do Usuário) e UX (User eXperience). O objetivo é desenvolver plataformas de aprendizagem com temas visuais que estimulem o foco do estudante. Nas melhores interfaces (ou seja, tudo que se vê na tela) o aluno mal percebe que está num ambiente de aprendizado.

Apesar de ser uma apreciação visual, UIs de qualidade refletem na outra sigla, UX. A experiência do usuário tem a ver com seus sentimentos ao lidar com a interface. Em outras palavras, uma página pode ser visualmente incrível, mas se demorar para carregar os conteúdos vai causar, por exemplo, irritação e, consequentemente, o desestímulo.

Por isso, é importante que a plataforma seja adaptada aos principais dispositivos do mercado (PCs, smartphones, tablets), afinal a aprendizagem EAD pressupõe que o aluno escolherá onde e como aproveitar as ferramentas do curso.

 

Investir em cursos a distância é uma tendência de mercado em alta no Brasil. Embora nos países do Hemisfério Norte, a modalidade EAD já faça parte do cotidiano, o país ainda passa por uma transformação cultural em relação a esse formato. Portanto, o engajamento em EAD depende das decisões tomadas pelas universidades nesse processo de inovação.

Se você deseja conhecer mais dicas sobre este e outros temas que podem ajudar no crescimento da qualidade de sua IES, assine nossa newsletter.