O empreendedorismo para o ensino superior tem um papel central no desenvolvimento intelectual, social e econômico não apenas dos futuros profissionais, mas principalmente das nações às quais esses cidadãos pertencem.

Partindo desse princípio, as IES internacionais destinam intensos esforços para fomentar a multiplicação de ideias inovadoras na academia e gerar impactos positivos na sociedade.

Neste post, apresentamos uma reflexão quanto à importância do empreendedorismo para o ensino superior brasileiro e sugerimos caminhos para sua IES potencializar o espírito empreendedor dos universitários. Acompanhe!

O desafio da modernização

A educação empreendedora, no Brasil, esbarra na carência de modernização de boa parte das instituições. Ainda é pequeno o número de IES que entendem a função estratégica do empreendedorismo na academia. Em consequência, constatam-se instituições sem estrutura para atividades empreendedoras e desconectadas do mercado.

Segundo o relatório Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras (Endeavor-Sebrae, 2016) — que entrevistou 2.230 universitários e 680 professores de 70 IES —, apenas 38% das instituições oferecem iniciativas de empreendedorismo, como disciplinas específicas, incubadoras de empresas e eventos.

Além disso, em média, existe apenas um centro responsável por esses programas em cada instituição. Em 44% delas, esses departamentos estão vinculados aos cursos de negócios e administração, sem uma visão integral de todas as necessidades. Ademais, em quase 18% das IES a situação é pior: não há qualquer ação institucionalizada de empreendedorismo.

Esse problema se estende ao corpo docente. O relatório aponta que 46% dos professores entrevistados não possuem qualquer experiência como empreendedores, e outros 53,8% somente prestaram consultorias. Outro dado: apenas 6,3% desses docentes atualizam-se com profissionais do mercado, mas utilizam para isso principalmente a internet.

Um bom sinal é a existência de alunos empreendedores, a maioria com idades entre 25 e 31 anos. As estatísticas apontam que 6% dos universitários já possuem negócio próprio, com predominância de empresas com até 10 funcionários (93%) e de microempreendedores individuais (30%). Além disso, 70% dos empreendimentos têm até 5 anos e 48% dos alunos abriram seus negócios durante o curso.

Um fator positivo é que 75% desses jovens afirmam pensar na expansão dos seus negócios, porém, apenas 25% revelam desejar um time com mais de 25 funcionários. Isso demonstra que existe vontade de crescimento, mas a má notícia é a carência de ambição — algo que, segundo o relatório, precisa ser ampliado.

Além disso, somente 4% desses estudantes desejam promover inovação. Dos que cogitam ter o próprio negócio, 75% não pretendem oferecer qualquer ineditismo e apenas 1,4% pensa em criar um serviço ou produto inovador.

Índice das Universidades Empreendedoras 2017, divulgado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), é outra fonte que aponta uma necessidade de mudança de paradigmas. O maior estudo brasileiro sobre educação empreendedora entrevistou 10 mil alunos sobre o tema, além de apontar o ranking das universidades que fomentam o empreendedorismo.

Desse universo, apenas 30% dos entrevistados mencionaram ter participado de algum projeto fora da sala de aula. Além disso, existe um impasse com relação à estrutura e organização curricular das IES para o desenvolvimento de competências voltadas ao empreendedorismo. Quase 50% mencionaram discordar parcial ou integralmente em três aspectos fundamentais para uma educação empreendedora no ensino superior:

  • flexibilidade da grade curricular para engajamento em atividades extracurriculares;
  • metodologia de ensino que favoreça o desenvolvimento de competências empreendedoras;
  • grade curricular que facilite o desenvolvimento de competências empreendedoras.

Por fim, das 55 universidades mais empreendedoras do Brasil, apenas 7 são instituições privadas, o que aumenta ainda mais o desafio para as IES particulares (lembrando que o Censo da Educação Superior de 2016 afirma que das 2.407 IES brasileiras, 87,7% são privadas e detêm 75,3% das matrículas).

Estímulo à capacitação de jovens empreendedores

Embora o incentivo ao empreendedorismo esteja presente no ensino superior brasileiro, é notável que as IES estão em débito com o incremento da capacitação de jovens empreendedores para possibilitar crescimento mais rápido e consistente do país.

top 100 das universidades mais inovadoras do mundo, divulgado pela revista inglesa Times Higher Education (THE), especialista em educação superior, confirma essa premissa ao pontuar 49 universidades norte-americanas nesse ranking. Dessas, 8 estão no top 10, incluindo os 4 primeiros lugares.

Em comum nessas IES há o desenvolvimento de futuros líderes, formadores de opinião, empresários, pesquisadores e cientistas que atuam ao redor do planeta e geram conhecimento, empregos e inovação tecnológica, essenciais ao poder econômico do país mais influente do globo.

Stanford University, primeira colocada do ranking, é taxativa:

“Desmistificamos o empreendedorismo e cultivamos uma compreensão das questões enfrentadas pelos empresários e empresas em crescimento. Acreditamos que as inovações mais emocionantes derivam da colaboração interdisciplinar, e incentivamos isso ao servir os professores e estudantes de toda Stanford em parceria com a comunidade empresarial”.

Dessa maneira, urge incutir a abordagem empreendedora na cultura da academia. Cada professor deve ser um porta-voz do estímulo aos estudantes, por meio de uma metodologia de ensino inovadora, capaz de solidificar ações empreendedoras no âmago da instituição.

Essas iniciativas precisam abrigar um programa acadêmico completo, institucionalizado e multidisciplinar que valorize aspectos como:

  • inspiração empreendedora;
  • criação de protótipos;
  • pesquisas de campo;
  • conhecimento dos ecossistemas locais;
  • gestão empresarial.

Assim, sua IES será capaz de acompanhar toda a jornada empreendedora dos alunos ao longo do curso e poderá construir programas de empreendedorismo que ofereçam resultados reais e elevem tanto a reputação institucional quanto a avaliação institucional.

Ao mesmo tempo, sua IES estreitará relações com o mercado, o que facilitará, inclusive, a ampliação de sua rede de negócios.

Iniciativas para empreendedorismo na IES

Qualquer iniciativa de empreendedorismo na sua IES deve estar pautada no empoderamento do aluno e na confirmação do protagonismo universitário. Assim, a formação acadêmica precisa ser transversal, a fim de que os estudantes saiam da faculdade com todas as ferramentas necessárias para uma postura de engajamento e proatividade e consigam maior empregabilidade no mercado.

A seguir, apresentamos algumas sugestões.

Crie disciplinas voltadas ao empreendedorismo

Inclua nas grades disciplinas que contemplem empreendedorismo, preferencialmente em cada um dos cursos. Com o uso metodologias ativas de ensino, essas propostas incentivarão os alunos a desenvolver projetos de cunho comunitário e, até mesmo, a encontrar oportunidades de negócios inovadoras.

Configure o programa de maneira que essas disciplinas integrem projetos relacionados a diferentes áreas ou cursos, sobretudo se sua IES adotar um sistema modular de ensino.

Incentive os professores se tornarem mentores

Os jovens empreendedores precisam de alguém mais experiente para auxiliá-los nas tomadas de decisão — algo muito parecido com o que acontece nas grandes empresas.

Nesse sentido, o papel dos professores no empreendedorismo universitário é fundamental para que o aluno tenha melhor desempenho nessas atividades. Por meio de um diálogo estreito, são transmitidos valores de relacionamento interpessoal, ideias e sugestões de atitudes que impulsionem projetos.

Trata-se de uma relação de incentivo e confiança junto aos estudantes; um apoio valioso na formação estudantil.

Aposte em núcleos de empreendedorismo

Os núcleos de empreendedorismo são um importante elo entre os alunos, sua IES e o mercado. Esses espaços são fundamentais para acompanhar a jornada empreendedora de seus alunos e promover programas robustos de empreendedorismo.

Por meio deles, é possível desenvolver parcerias com entidades de classe, empresas e governo. Além disso, os núcleos podem ser a ponte com egressos empreendedores, a fim de identificar dores nos diversos setores da sociedade e desenvolver soluções empreendedoras sólidas.

Os núcleos ainda são importantes para fomentar projetos multidisciplinares que envolvam vários cursos, o que resulta em maior integração de toda a comunidade acadêmica e incentiva a melhoria do desempenho dos alunos.

O Brasil está carente de instituições engajadas com o empreendedorismo para o ensino superior. Caso você não tenha priorizado esse tema até o momento, estabeleça-o como prioridade a partir de agora e torne a atuação acadêmica de sua IES ainda mais relevante para a sociedade.

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