Ter o emprego dos sonhos representa grande parte do que move jovens e adultos a desejarem o ingresso em uma faculdade. Com a atual situação econômica do país e a disputa acirrada por posições profissionais, a problemática da empregabilidade se torna ainda mais latente.

Mas, afinal, quais são as expectativas do mercado de trabalho em relação aos alunos de graduação? Como as Instituições de Ensino Superior podem contribuir com uma formação que corresponda a essas exigências e que proporcione um engajamento genuíno por parte dos estudantes?

Essa discussão se faz extremamente necessária no momento atual. Por isso, acompanhe este artigo e entenda mais sobre o assunto!

Afinal, o que é empregabilidade?

A aplicação de novas tecnologias, as transformações nas práticas de trabalho e a busca por qualidade e qualificações pessoais são características do mercado de trabalho — fatores que desafiam os estudantes de IES e movem seus esforços.

A dinâmica entre os que buscam e os que oferecem um emprego, levando em conta as habilidades específicas de uma profissão e, essencialmente, a preparação em busca de um trabalho é definida como empregabilidade.

Em linhas gerais, o conceito trata da capacidade que um indivíduo tem para colocar-se ou manter-se ativo no mercado de trabalho. Esses aspectos são indissociáveis do papel das IES enquanto entidades formadoras, já que o nível de escolarização está intimamente ligado ao alcance de posições profissionais mais vantajosas.

De acordo com o Educatios at a Glance de 2017, realizado anualmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgado pelo Inep, no Brasil, 60% da parcela de adultos que tiveram acesso ao ensino superior recebe duas vezes mais do que a média salarial daqueles que não tem esse grau de formação.

Isso nos leva a uma importante conclusão: o mercado de trabalho, de fato, reconhece as IES como parte fundamental do engendramento de um profissional qualificado. A questão é: quais são as reais expectativas em relação aos graduandos?

Quais as expectativas do mercado em relação aos alunos de IES?

Medir a capacidade de um profissional vai além do que a análise de um papel. Por isso, nem sempre a faculdade com a melhor grade curricular consegue entregar os indivíduos mais qualificados para o exercício de uma determinada função e é um dos desafios da educação superior encontrar o melhor posicionamento nesse sentido.

Para Amir El-Kouba, consultor empresarial e professor de gestão de pessoas em MBAs da Fundação Getúlio Vargas, a crise econômica que o Brasil enfrenta desde 2014 tem como principal aspecto positivo uma releitura do mundo profissional. Nessa nova perspectiva, destacam-se os estudantes que possuem uma visão ampla e uma postura multitarefa.

Hoje em dia, está em destaque o profissional que exerce seus conhecimentos com qualidade e comprometimento e que percebe a interdependência entre as várias áreas de atuação e atividades dentro de uma mesma empresa. São características fundamentais:

Proatividade e dinamismo

Proatividade e dinamismo são duas características que não deixam de ser valorizadas no mercado de trabalho. Afinal, um profissional com comportamento proativo e dinâmico, que busca antecipar-se frente a resolução de problemas e que está sempre em busca de novas ideias e saberes, consegue destaque em qualquer ambiente.

Conhecimento de diferentes culturas e tecnologias

A globalização caminha a passos largos e, com o avanço da tecnologia, as barreiras físicas reduzem consideravelmente a cada dia. Para o bom desempenho das atividades profissionais, é fundamental que o indivíduo tenha a consciência dessa nova configuração, com interesse por diferentes culturas, inovações e tecnologias.

Domínio de idiomas

Foi-se o tempo em que conhecer um segundo idioma era um diferencial no mercado de trabalho. Hoje em dia, esse é um requisito quase que essencial. Dominar duas ou mais línguas abre portas para a atuação profissional, seja por meio da realização de viagens, do acesso a informação, para a expansão da rede de contatos etc.

Habilidade de trabalhar em equipe

No ambiente de trabalho, não há mais espaço para profissionais estáticos ou para o individualismo exacerbado. As atividades hoje são vistas como processos nos quais há a necessidade de um esforço conjunto. Ter facilidade para trabalhar em equipe garante ao profissional uma atuação focada em objetivos comuns.

Qual é o papel das IES frente a esse cenário?

Para atender às expectativas do estudantes e conseguir satisfazer às disposições do mercado de trabalho, as IES cumprem um papel decisivo e que exige, sobretudo, muita organização por parte dos seus gestores e metodologias ativas.

Considerando o conceito de empregabilidade, o profissional é responsável pela sua condição de ser empregável ou não. Para isso, ele precisa passar por um processo concreto e profundo de qualificação que vai além dos conhecimentos teóricos e práticos de cada profissão. Cabe, portanto, viabilizar:

Atendimento psicológico aos alunos

Para alcançar a maturidade necessária para conhecer e entender o mercado, o aluno precisa de ajuda para desenvolver suas capacidades emocionais, incluindo o autoconhecimento, a empatia e a aptidão para lidar com mudanças.

Esses e outros aspectos podem ser trabalhados com o auxílio de uma consultoria educacional e psicológica. Oferecer um atendimento especializado dentro das IES é benéfico, também, para que se consiga um posicionamento pessoal dos estudantes frente às transformações a que estão sendo submetidos durante a formação acadêmica.

Parceria com departamentos de RH

Outra dica é realizar parcerias com departamentos de RH de empresas que incentivam a qualificação em nível superior. Esse cuidado é fundamental para que seja oferecida uma formação realmente completa aos alunos.

Por meio de estágios, visitas técnicas, orientação profissional, treinamentos e palestras dentro do ambiente de trabalho ambicionado pelo graduando, há um incentivo muito mais palpável e uma real oportunidade de desenvolver as habilidades e competências de cada profissão.

Constante revisitação e aprimoramento da grade curricular

Cabe aos gestores de IES revisitar e aprimorar as matrizes curriculares dos cursos oferecidos com frequência, acompanhando as novas descobertas científicas, pesquisas acadêmicas e tendências das áreas em questão.

Esse cuidado é importante para que a base formativa do aluno seja não apenas sólida, mas também adequada às exigências do mercado de trabalho que se atualizam constantemente.

Oferecimento de oficinas voltadas para o mercado de trabalho

Por fim, as IES também podem desenvolver oficinas e treinamentos voltados especificamente para conduta profissional, desempenho em processos seletivos, consciência mercadológica etc. Dessa forma, a universidade estará estimulando o aprimoramento dos seus alunos enquanto indivíduos com potencial de serem empregáveis ou não.

Em resumo, o papel de uma IES é o de se colocar como aliada dos estudantes, levando em conta os novos contornos do conceito de empregabilidade e as expectativas do mercado de trabalho, além de incentivá-los a buscarem preparação e atualização constante dos conhecimentos, recursos e tecnologias.

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