O cenário da Educação Superior privada no Brasil é desafiador: mercado educacional cada vez mais competitivo, crise financeira e número de matrículas em estagnação. Tudo isso, faz com que as instituições universitárias tenham de ressignificar suas estratégias e fazer inúmeras autorreflexões para sobreviver — com um serviço de qualidade — nessa realidade turbulenta. Nesse contexto, a retenção de alunos na IES torna-se imprescindível.

O que fazer para isso? Neste post, trazemos 6 ideias para os gestores enfrentarem o problema da evasão de alunos e conseguirem que mais estudantes permaneçam matriculados até a conclusão do curso. Confira!

1. Adote um modelo de qualidade de relacionamento

A partir da efetivação de uma matrícula, a IES inicia uma jornada com o objetivo de cuidar desse aluno em todos os aspectos (acadêmico, financeiro, comportamental etc.). Para tanto, o conceito de relacionamento na cultura organizacional deve visar à lealdade do aluno, a fim de que ele mantenha viva a vontade de concluir ali sua graduação.

Bergamo, Farah e Giuliani (2007) afirmam que “estudantes leais podem influenciar positivamente a qualidade do ensino e do serviço da IES, pela participação ativa e comportamento comprometido. Após a graduação, o aluno continuará auxiliando a IES com doações, propaganda boca a boca e outras formas de cooperação”.

Com isso, é necessário haver um modelo de qualidade que busque o máximo de excelência na prestação dos serviços educacionais. Esse modelo servirá de base para novas práticas técnico-administrativas e condutas de relacionamento dos colaboradores, corpo docente e gestores, a fim de que os alunos alcancem uma satisfação plena.

A partir de um modelo de qualidade é possível mensurar os níveis de satisfação dos alunos e mapear tanto os pontos de sucesso quanto os de fragilidade da IES. A partir dessa investigação, é possível melhorar aspectos que favoreçam o comprometimento discente com a IES, tanto em nível de integração acadêmica quanto em confiança e lealdade.

2. Realize inovações no projeto pedagógico

IES que não ressignificam seus processos de ensino-aprendizagem acabam perdendo competitividade. Falar de inovação envolve fatores humanos, organizacionais, estruturais e tecnológicos, com o objetivo de estimular maior comprometimento dos estudantes com sua vida acadêmica.

Por exemplo, a adoção de metodologias ativas vêm gerando resultados positivos tanto em engajamento dos alunos quanto no aumento do seu desempenho nos cursos e em exames oficiais, como o Enade.

Somam-se às metodologias ativas a inclusão de novos recursos tecnológicos para atividades presenciais e de plataformas digitais de estudo a distância. Essas ferramentas têm sido importantes para a descentralização da sala de aula e para que o aluno se torne agente da construção do seu conhecimento.

Como consequência, uma nova relação aluno-professor surge e é possível desenvolver uma universidade mais personalizada, com atividades disciplinares que atendem aos diferentes perfis pessoais dos estudantes.

3. Use tecnologia CRM prever a evasão

O acrônimo para Costumer Relationship Management (ou gestão de relacionamento com o cliente) é uma abordagem que permite observar o comportamento de leads, prospectos e consumidores em toda a jornada de compras até a posterior relação com o cliente efetivo.

No caso das IES, a implantação de sistemas CRM permite uma visão geral do público da instituição, com dados sobre seus pontos fortes, fracos, anseios e necessidades.

Uma vez consolidado o ingresso do aluno, a análise dos dados coletados via CRM suscita a definição de políticas de qualidade e ações para aumento da taxa de retenção. Entre esses pontos destacam-se: desempenho nas disciplinas, distância da residência x atrasos, inadimplência, entre outros.

4. Implante uma gestão preventiva à inadimplência

A inadimplência é um dos principais motivos para a evasão de alunos. Por isso, a IES deve driblá-la com uma gestão financeira estratégica preventiva.

Com atuação permanente, a IES precisa manter estreito relacionamento com os inadimplentes, de maneira a compreender sua condição e, assim, auxiliá-los a voltar à adimplência.

Uma rede de ações administrativas e comunicacionais deve ser estabelecida, com o auxílio de recursos humanos e tecnológicos — sempre prezando por um relacionamento harmonioso e personalizado. Entre essas ações, podemos destacar:

  • call center humanizado para cobrança e renegociação de dívidas;
  • comunicação sobre vencimento das mensalidades utilizando todos os dispositivos utilizados pelo aluno (e-mail, SMS, URA, WhatsApp etc.);
  • websites responsivos a smartphones e tablets com serviços automatizados para geração de boletos;
  • parcerias com programas financiamento estudantil, como FIES e Prouni;
  • políticas de descontos para pagamentos integrais ou antecipados;
  • programas de bolsa de estudos.

5. Incentive o aluno a aumentar seu desempenho

Programas de reconhecimento acadêmico são uma forma eficaz de estimular os alunos a aumentarem seu desempenho na universidade. De maneira abrangente, a IES pode estabelecer parâmetros de recompensas que estimulem os estudantes a se engajarem mais nos estudos e projetos.

Uma das alternativas é a realização de parcerias com instituições governamentais e empresas privadas, para projetos-piloto dos alunos com soluções para a comunidade. Os melhores projetos podem ser recompensados de diferentes maneiras: prêmios em dinheiro, vagas em estágios e programas de trainee, intercâmbios internacionais etc.

Também vale a pena estimular a meritocracia por meio de patrocínio a alunos engajados em atividades que possam divulgar o nome da IES. Patrocínios esportivos são os mais comuns, mas outras modalidades também podem ser consideradas, como atividades culturais ou pesquisas de iniciação científica inovadoras.

O comprometimento com a vida acadêmica pode, ainda, render bons descontos nas mensalidades ou, até mesmo, bolsas de estudo para alunos com as maiores médias ao final de cada ciclo. Se possível, essa política deve se estender a quem tiver bom desempenho em exames oficiais, como o Enade, sobre o qual vamos falar a seguir.

6. Concentre esforços para o Enade

O Enade se une a outros indicadores de qualidade como a principal forma de avaliação dos cursos universitários e das IES brasileiras. Por meio dele, as instituições podem promover ações que venham a melhorar os aspectos identificados como fragilidades na gestão acadêmica e na organização pedagógica dos cursos (Griboski, 2012).

Com isso, o Conceito Enade reflete diretamente na gestão financeira da instituição, pois uma avaliação negativa pode determinar inclusive o fechamento do curso. Além disso, é uma ferramenta de exposição da qualidade da IES e influencia em sua posição nos rankings universitários.

Por consequência, o preparo dos estudantes para o Enade deve fazer parte do cotidiano do curso desde os estágios iniciais. Para reforçar a cultura em torno do Enade, a IES também pode incentivar maior responsabilidade na realização da prova por meio de premiações a quem tiver melhor desempenho.

Mas, uma ressalva: cuidado ao conduzir esse tipo de recompensa, a fim de que a ação não fira a ética institucional e exponha a IES negativamente.

A retenção de alunos na IES deve integrar a cultura organizacional. Para isso, faz-se necessária uma sinergia entre os profissionais e o fomento de um espaço de diálogo e flexibilidade em que o aluno seja o centro do jogo. Esperamos que essas ideias tenham ajudado você a refletir sobre soluções para aumentar a taxa de retenção de alunos em sua IES.

 

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