Para a melhoria e expansão constantes de uma IES, o amor pela educação deve vir em primeiro lugar. No entanto, um bom gestor sabe que os aspectos empresariais são indissociáveis de resultados positivos. Nesse sentido, a governança corporativa em instituições de ensino superior surge como um conceito que pode ser muito bem aproveitado.

As dinâmicas e estratégias organizacionais são fatores fundamentais para consolidar a reputação da universidade, transformando-a em referência de ensino. Mais do que isso, a gestão equilibrada, eficiente e pautada em pilares sólidos garante um nível de excelência dificilmente alcançado ao acaso.

Para que você compreenda mais sobre os impactos desse regime em uma instituição educacional e como, de fato, aplicá-lo, acompanhe a leitura até o final!

O que é a governança corporativa?

De acordo com o mais recente Censo da Educação Superior, 87,7% das IESs são de iniciativa privada. Mais do que isso, os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) relativos ao ano de 2016 revelam que o crescimento no número de matrículas, embora não tenha permanecido estável, continua em crescimento.

Os números indicam, portanto, que a concorrência no setor de ensino é uma realidade. Dessa forma, as gestões educacionais que não acompanharem o avanço do mercado se colocam em posição de risco, tendo-se em vista a procura pela formação de nível superior no Brasil.

A governança corporativa em instituições de ensino superior surge, portanto, como uma forte aliada da administração, pela perspectiva da IES como empresa. A necessidade de otimização da organização não pode ser ignorada quando o objetivo é se colocar em posição competitiva. Mas você sabe, exatamente, do que trata esse conceito?

Em linhas gerais, a governança corporativa visa a sustentabilidade do negócio, isto é, o uso eficiente dos recursos e a boa aplicação de processos (BOGONI, 2010). No cenário da educação superior, os princípios desse modelo de administração propõem soluções, principalmente, para a gestão financeira da IES, além de propulsar significativamente o desempenho dos docentes, gestores e alunos.

Quais os impactos desse conceito na sua IES?

Citando diretamente o Código do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), esse sistema proporciona o alinhamento dos interesses de uma empresa, “facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum” (2015).

Para tanto, a administração deve ser guiada por quatro princípios básicos:

  • transparência: consiste na concessão de informações de interesse geral de forma voluntária e genuína;
  • equidade: envolve as relações profissionais justas e pautadas nos interesses, necessidades e deveres de todos;
  • prestação de contas: garante a compreensão coletiva da atuação dos envolvidos em seus respectivos âmbitos de atividade;
  • responsabilidade corporativa: abrange toda uma mudança de cultura dentro da organização, levando em conta o zelo pela viabilidade econômica e financeira.

Esses motores aplicados à gestão de IESs acarretam, diretamente, os seguintes aspectos:

  • diminuição da evasão escolar no ensino superior, já que possibilitam um ambiente com políticas concisas e vantajosas para todos, inclusive os alunos;
  • promoção de um aumento na captação de estudantes, pelos mesmos motivos;
  • garantia de mais objetividade para os gestores nas tomadas de decisões;
  • maior engajamento de todos os profissionais da instituição;
  • melhora significativa no desempenho da IES em avaliações como o ENADE.

A governança corporativa em instituições de ensino superior é, portanto, uma alternativa consistente para a melhoria da gestão acadêmica, financeira e administrativa, principalmente em um cenário desafiador como o que se instala após a reforma do ensino médio e a inconstância econômica do país.

Como otimizar a governança corporativa na IES?

Práticas como a otimização da matriz curricular, a contratação de docentes capacitados, o estímulo à formação continuada dos profissionais e a adoção às inovações são fundamentais para uma gestão eficiente de IES.

Levando-se em conta especificamente a governança corporativa em instituições de ensino superior, porém, podemos citar como práticas válidas:

Incorporar um sistema de metas

Como toda empresa, a IES precisa ter um sistema de metas a curto, médio e longo prazo, para que a gestão seja mais direcionada, e as decisões, mais consistentes. Somente a partir de objetivos claros e mensuráveis é que é possível orientar os esforços de todos em prol do bem comum.

Para tanto, os administradores devem valer-se da preocupação para com os indicadores de qualidade de ensino, além de ter em vista a relação entre ensino superior e empregabilidade e a necessidade de proporcionar uma formação realmente diferenciada para os alunos.

Trazer a transparência para gestão

A questão da transparência é indissociável da confiança mútua entre todos os interessados pela viabilidade da IES. Em seu livro The Speed of Trust (O Poder da Confiança, em português), o autor Stephen M. R. Covey fala justamente dos impactos desse tipo de vínculo no alcance de resultados de qualquer corporação.

Para ele, isso parte de uma verdadeira reestruturação da cultura organizacional, extinguindo de vez as atitudes que impedem a empresa de atingir os seus resultados e metas.

Investir em visão e relações pessoais

As relações pessoais são fundamentais para o estabelecimento de uma administração rentável e bem-sucedida. Nesse sentido, a equidade é palavra-chave na estratégia de governança corporativa em instituições de ensino superior.

Isso consiste, sobretudo, em incorporar políticas justas, imparciais e que levem em conta os deveres, responsabilidades e direitos de todos os agentes participantes do organismo institucional, partindo dos gestores, docentes e demais funcionários até chegar aos estudantes. O resultado é o surgimento do engajamento de alunos de forma espontânea.

Ampliar a responsabilidade corporativa

A responsabilidade corporativa vai além da prestação de contas ou do comprometimento com os compromissos da IES. Ela fomenta uma mudança de comportamento em relação ao capital humano da organização e uma maior preocupação voltada a muitos aspectos institucionais, como a ética e o respeito.

No Código do IBGC, é recomendada uma redução das externalidades negativas ao negócio, a fim de que haja a viabilização de operações que concorram para a sustentabilidade reputacional, econômica, intelectual, humana e social da organização.

 

De modo geral, a governança corporativa em instituições de ensino superior está absolutamente ligada ao alcance de melhores resultados, tanto em relação ao desempenho em indicadores, quanto aos rendimentos financeiros e às dinâmicas administrativas. Portanto, vale a pena estudar uma estratégia baseada nesse conceito.

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