A tecnologia não é mais o futuro, é o presente. O seu significado vai muito além de uma percepção de modernidade quando se fala em inovação na instituição de ensino superior, aqui concebida como uma série de modificações que incidem sobre pontos-chave e eixos constitutivos da estruturação e do funcionamento do ensino, conforme propõe Marcos Masetto, no artigo Inovação na Educação Superior.

Trata-se de alterações de ordem tecnológica – com o uso de recursos advindos de novas mídias, informatização etc. –, pedagógica – a partir da busca de concepções e métodos condizentes com a realidade –, institucional – baseadas em ações expansivas e atuais constantes nos projetos político-pedagógicos de cursos das instituições –, entre outras.

Esse cenário exige que as etapas do processo de aprendizagem passem por reflexões e ações passíveis de gerar mudanças nas práticas do ensino superior. É essencial que o universitário exerça novas funções, deixando de ser quem só recebe informações para se cocriar a aprendizagem. Nessa ótica, o professor se torna responsável por tal integração e a instituição de ensino facilita o processo, avalia e busca a sua constante melhoria.

Neste artigo, abordamos a realidade que bate à porta das instituições de ensino superior quando o assunto é inovação. Tratamos das vantagens, tendências e desafios, bem como sugerimos o caminho para implementá-la. Confira!

Benefícios da inovação ao processo de aprendizagem

As instituições de ensino já estão notando as melhorias geradas pela inovação  partir do envolvimento ativo de seus estudantes com as aulas. É o que conclui Maria Isabel da Cunha, no artigo Inovações na educação superior: impactos na prática pedagógica e nos saberes da docência, assim como os dados fornecidos pelo NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014.

Esse engajamento traz muitas vantagens, como maior captação de alunos, baixa evasão, aumento da aprendizagem e das avaliações acadêmicas, além da maior facilidade de inclusão dos estudantes no mercado de trabalho. Ou seja, são alcançados benefícios em mão dupla: para a instituição de ensino e para os egressos.

Principais tendências de inovação no ensino superior

Cada vez mais, abrem-se caminhos educacionais que se encontram com a inovação. As tendências atuais de ensino não deixam dúvidas de que está na hora de inserir novas práticas no cotidiano acadêmico. Veja quais são as principais tendências de inovação no ensino superior e o que elas proporcionam ao aprendizado:

1. Mídias sociais

As redes sociais mudaram a maneira de interação entre as pessoas. No ensino superior, elas fazem parte do ambiente acadêmico como maneira de diálogo informal entre alunos e professores, além do compartilhamento de experiências que se relacionem com os temas abordados em sala de aula.

2. Aplicativos e plataformas virtuais

Facilitadores de trabalhos em grupos, os aplicativos e as plataformas virtuais tornam-se, cada vez mais, ambientes de aprendizado colaborativo. Com esse cenário, as universidades aproveitam para experimentar técnicas que dão mais liberdade nas interações entre alunos e trabalham com projetos que estimulem o pensamento crítico e a criatividade.

3. Gestão baseada em dados

Trata-se de um mapeamento da aprendizagem dos alunos a partir dos rastros de dados gerados por meio das atividades realizadas online. Os registros são coletados por dispositivos portáteis projetados para essa finalidade e as informações, além de avaliarem o desempenho dos estudantes, servem como base para ponderar e modificar as estratégias de ensino.

4. Assistente virtual

O assistente virtual já é conhecido por obedecer a comandos de voz e gestos em celulares, televisões e computadores. Agora, ele ganha mais inteligência artificial para aprender com as navegações e buscas do estudante. Assim, melhora os conteúdos de pesquisas e sugere temas de interesse do aluno.

5. Sala de aula invertida

A sala de aula invertida é um dos modelos denominados de híbridos por combinar atividades presenciais e online. Nesse modelo, o universitário estuda a teoria de modo on-line, fora da sala de aula, aproveitando as aulas presenciais para as tarefas de natureza prática.

O processo da sala de aula invertida funciona em três etapas. Primeiro, o professor indica conteúdos por meio de apresentações, videoaulas e podcasts para os estudantes assistirem em casa. Em seguida, há a revisão do material pelo aluno, caso necessite, e pesquisas para aprofundar o tema estudado. Depois, são sanadas as dúvidas em sala e feitas atividades, debates e projetos para aprofundar o assunto.

O método possibilita desenvolver habilidades intra e interpessoais, colabora com a construção do conhecimento, da automotivação, estimula a criatividade, colaboração, autonomia e organização de cada estudante.

6. Novas formas de avaliação

Algumas instituições de ensino já estão implementando novas formas de avaliação pautadas em padrões inovadores que apostam na autonomia do estudante, como aponta o estudo Inovações Tecnológicas que influenciarão o mundo acadêmico nos próximos anos, de Teresa Avalos Pereira.

Entre os modelos estão a pesquisa individual, a autoavaliação e o relatório de responsabilidade dos professores feito em grupos de estudo. Além de avaliarem os universitários, esses procedimentos ajudam a desenvolver a autorreflexão dos estudantes e a desonerarem o tempo dos professores.

Desafios ao investir em inovação na instituição de ensino

Uma vez que inovar implica na ruptura de metodologias já consolidadas, a sua realização precisa ser feita de maneira permanente, progressiva e diversificada. Para isso, conte com equipes distintas e, mais importante, concentre os objetivos no estudante e em sua experiência de aprendizado.

Portanto, as instituições de ensino devem focar na inovação como enriquecimento do aprendizado, e não como um investimento em softwares, apenas para se conceituarem como modernas — o que, no fim, pode acabar se revelando um desperdício de recursos.

Há uma linha tênue entre as duas situações, e é preciso ter cuidado para não utilizar a tecnologia a fim de substituir algo que já é conhecido e praticado. Esse talvez seja o maior desafio da área ao investir na inovação.

Caminho para alcançar o enriquecimento da experiência de ensino

Como uma alternativa ao modelo tradicional de aulas expositivas com quadro de giz, o ensino híbrido, definido anteriormente, – que inclui a sala de aula invertida, mas, não se limita a ela –, usa a inovação a favor do aperfeiçoamento do processo de aprendizagem. Algumas ferramentas do ensino híbrido, assim como certos processos e condutas podem auxiliar na inovação do ensino. Confira algumas:

Flexibilidade de horários

Deixar a rigidez dos horários um pouco de lado permite que o estudante possa se organizar de maneira mais tranquila e dinâmica, ao ter a opção de escolher quando iniciará a jornada de estudos.

Avaliação dos dados do ENADE

A análise detalhada dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes revela as melhores alternativas para que as instituições possam aprimorar seus processos pedagógicos. Trata-se de uma fonte de dados que contribui para a implantação de melhorias para o desempenho dos alunos e, consequentemente, da instituição.

Capacitação dos docentes

Nesse novo modelo, o professor deixa de exercer um papel de especialista onisciente para se tornar um facilitador da aprendizagem. Dessa forma, ele precisa ser devidamente capacitado para saber como criar técnicas e explorar novos recursos para ensinar.

 

Como vimos, a implantação da inovação na instituição de ensino superior é um desafio necessário para proporcionar o enriquecimento da experiência acadêmica na nova realidade educacional. Portanto, vale a pena investir no envolvimento do estudante em seu processo de aprendizagem a partir da implementação de políticas e práticas baseadas na inovação.

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