Confiança, satisfação e oportunidade. Três fatores de otimismo que refletem a boa reputação da universidade segundo a visão dos estudantes. A busca de jovens e adultos por formação superior, a fim de conquistar espaço no mercado de trabalho, tem crescido muito nos últimos anos. Por esse motivo, indicadores de qualidade são objeto de interesse por parte desse público na hora da escolha por determinada IES.

Uma universidade bem conceituada inclui a visão do estudante de que ao cursá-la as oportunidades oferecidas para a carreira aumentam.

O fato de um aluno estar satisfeito em estudar naquela instituição pode representar que tanto a IES quanto o curso atendem adequadamente às suas expectativas de formação profissional. Na hora de uma entrevista, o estudante tende a se sentir mais confiante e com mais chances de conseguir a vaga desejada.

Influência dos rankings na atuação das IES

Em um mercado tão competitivo como o das IES, batalhar por melhores posições nos rankings vem sendo uma preocupação contundente dos gestores. Estudos ao longo dos últimos anos já provaram que universidades bem ranqueadas, de fato, veem aumento nas suas taxas de admissão.

E os índices altos representam um importante recurso de marketing e propaganda da reputação da universidade, tanto interna quanto externamente, e servem para instigar mais alunos a se matricularem.

Além disso, melhor posicionamento nos rankings gera argumentos na conquista de recursos para a instituição e estreita laços para parcerias com outras entidades e empresas.

Boas colocações também animam a academia a desenvolver um trabalho relevante, e os alunos tendem a acreditar mais nos ideais da instituição. Ademais, a IES fica valorizada perante a sociedade (alunos em potencial, famílias, mercado, governo, instituições de pesquisa, etc.).

Indicadores como o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) e rankings que consideram a produção científica, número de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, quantidade de professores com título de mestrado e doutorado e número de bolsistas de iniciação científica podem agregar muitos benefícios à comunidade acadêmica e à sociedade como um todo.

Por isso, essas estatísticas podem ser a base para projetos como os de extensão universitária e de pesquisa, por exemplo. São meios de desenvolver serviços em prol da população e auxiliar no desenvolvimento prático do aluno.

Para a professora Maria Christina de Medeiros, pró-reitora em Extensão e Cultura da Universidade Federal de Pernambuco, “O fato de eles [alunos] terem contato com a realidade e não só com conteúdos teóricos, em que devem vivenciar e experimentar o conhecimento na prática, é o maior ganho que os estudantes podem ter, pois eles se formam com olhares diferenciados”.

Essas atividades, têm muito valor na hora de se conseguir um estágio, já que a qualificação e as habilidades interpessoais e relacionadas à personalidade são levadas em consideração pelos recrutadores.

A reputação da universidade vai além dos rankings

É preciso compreender que a reputação não pode ser medida simplesmente comparando resultados dos rankings universitários. Embora sejam um termômetro relevante para as instituições, esses resultados apresentam um recorte que dificilmente as representa em sua totalidade.

Em setembro de 2016, a USP se deparou com dados discrepantes que colocavam a instituição em patamares distintos. Perdeu uma liderança de quatro anos no Ranking Universitário Folha (RUF) e caiu colocações na lista mundial da consultoria britânica Times Higher Education (THE). No entanto, subiu 23 posições e ficou com a melhor colocação da história do QS World Ranking, que classificou as 900 melhores universidades do mundo dentro dentre um universo de 4 mil instituições.

O reitor à época, Marco Antonio Zago, ressaltou, com relação aos resultados obtidos pela USP, que é preciso analisar as colocações com cuidado. “Não podemos transformá-las em metas. Um aspecto é melhorar apenas a posição da universidade nos rankings, outro, muito mais importante, é melhorar a universidade de uma forma geral”, afirmou (Jornal da USP, setembro/2016).

De acordo com Michelle Stack, pesquisadora e professora-associada do Departamento de Estudos Educacionais da Universidade de British Columbia (Canadá), “Rankings têm a ver com negócios, não com educação”. Segundo ela, existe negociação entre várias universidades que desejam subir posições e os ranqueadores.

Enquanto essas universidades dão as informações que lhes interessam, os responsáveis pelos rankings lhes oferecem produtos e serviços. Além disso, são feitos investimentos pesados para contratar professores de renome e ações de marketing para evitar notícias prejudicais à opinião pública.

Stack sugere que “Um ranking universitário nos diz pouco sobre a experiência estudantil ou sobre como a universidade contribui para a comunidade à sua volta”.

A reputação é um processo contínuo

Por outro lado, para o público em geral, que está fora dos muros da instituição, o posicionamento da universidade nos rankings contribui para a formação de um conceito positivo, antes mesmo de o vestibular ser prestado.

Ainda, outros valores menos estatísticos somam-se às avaliações e pesquisas nesse processo de construção de uma imagem da instituição pelo aluno.

O estudante também leva em consideração aspectos que refletem suas perspectivas pessoais, os quais, às vezes, tendem a ser mais importantes que propriamente a lista de melhores universidades.

Fatores como perspectiva de carreira, custos em geral e visão dos empregadores sobre a universidade podem igualmente pesar muito mais que simplesmente um indicador isolado.

É responsabilidade da gestão da IES a manutenção da reputação e ampliá-la por meio de novos valores. Esse processo precisa envolver seus públicos diretos — alunos, professores, funcionários e direção —, a fim de que a confiança na instituição seja abrangente e influencie positivamente momentos como as avaliações do ENADE.

Avaliações com notas altas expressam resultados promissores para a IES. Resultados ruins, por sua vez, podem fazer a imagem institucional desmoronar se não forem tomadas decisões que melhorem a parte física e aprimorem os caminhos pedagógicos.

De certa forma mais essencial às universidades que aos acadêmicos, o ENADE, por exemplo, é um termômetro de desempenho da IES, pois avalia os estudantes e a infraestrutura da instituição.

Por isso, as IES precisam estar atentas à sua atuação global, criando e gerenciando ações vanguarda que naturalmente contribuirão para uma reputação positiva.

Em testes obrigatórios com ENADE, a boa reputação da universidade também depende da criação de uma cultura interna para a importância desse tipo de avaliação. Para tanto, é necessário se preparar. Confira aqui algumas dicas que podem fazer a diferença para avaliação da sua IES.