Os avanços da era digital, a alteração do contexto econômico brasileiro e o perfil dos novos estudantes estão gerando transformações no cenário tradicional das Instituições de Ensino Superior (IES).

Estatísticas do Censo da Educação Superior 2016, o último divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), revelam que o número de matrículas no ensino presencial caiu 1,2% entre 2015 e 2016 — mas o período anterior (2014-2015) já registrava desaceleração —, o que é motivo de preocupação para a gestão das IES. Por sua vez, a modalidade EAD cresceu 7,2% seguindo a tendência dos últimos 10 anos.

Apesar do crescimento dos cursos de EAD, isso não significa que o ensino presencial está sendo sufocado. Do total de matrículas na educação superior, mais de 6,5 milhões estão concentradas em cursos presenciais, ou seja, 81,4%. Todavia, a participação da modalidade EAD apresenta números expressivos: são quase 1,5 milhão de estudantes matriculados, ou 18,6% do total de matrículas em cursos superiores do país. Em 2006, essa parcela era de meros de 4,2%.

Apesar do crescimento do número de matriculados em EAD, há vagas sobrando. Do total de vagas ofertadas nos processos seletivos, apenas 19,9% estão preenchidas. No ensino presencial esse número melhora — 47,2% das vagas foram preenchidas. Já em programas especiais de EAD, 60% das vagas foram ocupadas. Na modalidade presencial, a cobertura ficou em 30,8%.

O censo do INEP também revela perfis de aluno distintos em cada modalidade. O ensino presencial, por exemplo, atrai jovens recém-saídos do ensino médio, com uma média de 18 anos de idade para ingresso e 23 para conclusão. Já na modalidade EAD ingressam alunos na casa dos 28 anos, com média de conclusão aos 34.

Quanto às opções de curso, o típico aluno da graduação prefere cursar bacharelado na modalidade presencial e licenciaturas em EAD. No caso da área tecnológica, a modalidade presencial ainda sai na frente, com quase 60% dos matriculados.

Com todos esses dados, fica uma questão: será que está na hora de investir mais em EAD ou o caminho é insistir no ensino presencial? Confira neste artigo as vantagens e desvantagens de cada modalidade.

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Vantagens

Modelo de ensino reconhecido pelo jovem

Como evidenciou o MEC, o ensino presencial atrai jovens recém-saídos do ensino médio. Isso demonstra que o ensino tradicional da educação básica influencia na preferência pela modalidade presencial, indicando, pois, que essa faixa etária precisa de mais suporte nos estudos.

Mesmo com a disseminação das metodologias ativas de ensino, historicamente a educação brasileira ainda é pautada pela transmissão unidimensional do conhecimento. Com isso, a imagem do professor como autoridade máxima em sala de aula ainda persiste no imaginário dos estudantes como fator motivacional no processo de ensino-aprendizagem.

Taxas de evasão menores

As taxas de evasão na educação superior presencial são significativamente menores que em EAD — em torno de 25%, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED, Censo EAD 2016). Uma das razões é dificuldade de adaptação do próprio aluno à dinâmica dos cursos EAD e do não reconhecimento do próprio aprendizado.

Desafios

Altos custos

Um dos problemas fundamentais de se manter um curso presencial diz respeito aos custos. Independentemente de uma turma estar operando com o número mínimo de alunos, são mantidas as despesas com salários e encargos de professores, contas fixas, além de gastos com depreciação, insumos para laboratórios, convênios de estágios etc. (Garcia; Marquetto; Rosa; Souza, 2017).

Mensalidades caras

Assim como em EAD, a ABED identifica que questões financeiras são o fator principal que leva ao abandono do ensino presencial. Mas nessa modalidade os preços praticados no ensino privado estão na média de R$ 898 (UOL, 2017). Diante de um cenário de contenção de despesas e forte desemprego, esse fator encoraja a descontinuidade dos cursos.

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Vantagens

Crescimento da modalidade EAD

Os números do MEC não mentem e são ratificados pelo Censo da ABED: a EAD está em ampla expansão. De acordo com a ABED, no triênio 2014-2016, 65% das IES privadas e 35% das públicas tiveram algum tipo de envolvimento com a modalidade. Além disso, apenas 16,67% das instituições pesquisadas não registraram crescimento.

Inovação no ensino e gestão

Por meio do EAD, as IES conseguem favorecer um público cada vez mais carente de horários para cumprir suas atividades, evitando deslocamentos e uma grade curricular engessada. Além disso, a tecnologia permite inovações tanto no ensino quanto nas estratégias de gestão.

No primeiro quesito, a modalidade EAD favorece que o aluno ganhe autonomia no processo de ensino-aprendizagem, por meio da oferta de conteúdos em plataformas de estudo cada vez mais desenvolvidas e de recursos multimídia diversos.

Do ponto de vista da gestão, é possível monitorar a rotina dos estudantes, medir o desempenho e, a partir disso, promover ações junto ao corpo docente para garantir maior engajamento dos alunos e aumentar as taxas de retenção de matrículas.

Custos mais baixos e maior abrangência

O fato de os alunos estarem descentralizados geograficamente reduz de maneira significativa os custos com infraestrutura na IES, ao mesmo tempo em que permite uma abrangência de público muito maior, visto que não há barreiras do espaço físico. As vagas, nesse caso, são limitadas de acordo com a capacidade de acompanhamento da coordenação do curso e tutores.

Além disso, modalidade EAD possibilita economia com manutenção do espaço físico, locações, equipamentos multimídia, materiais de escritório, acervo físico de bibliotecas, corpo docente, funcionários e outros custos administrativos. Isso reflete diretamente em mensalidades, bem abaixo do ticket médio praticado pelos cursos tradicionais, o que reduz a inadimplência e serve de estímulo para novas matrículas (revista Época Negócios, 2012).

Variedade na oferta de cursos

Outro argumento a favor da modalidade EAD é a farta possibilidade de oferta de cursos em todas as áreas da educação superior, incluindo especialização, sequencial e tecnológica. Confira alguns exemplos de cursos EAD que podem ser implantados na sua IES:

Bacharelado

  • Administração;
  • Arquitetura e Urbanismo;
  • Biomedicina;
  • Ciências Contábeis;
  • Comunicação Social;
  • Enfermagem;
  • Engenharias;
  • Farmácia;
  • Fisioterapia;
  • Fonoaudiologia;
  • Nutrição;
  • Serviço Social;
  • Sistemas de Informação;
  • Teologia.

Licenciatura

  • Artes plásticas e performáticas;
  • Biologia, Física e Química;
  • Ciências Biológicas e Sociais;
  • Educação Física;
  • Filosofia e Sociologia;
  • Histórica e Geografia;
  • Letras;
  • Matemática;
  • Pedagogia;
  • Tecnologia da Informação.

Tecnólogos

  • Agronegócio;
  • Comércio Exterior;
  • Desenvolvimento de Sistemas;
  • Design (várias áreas);
  • Estética e Cosmética;
  • Gastronomia;
  • Gestão (diversas áreas);
  • Logística;
  • Marketing;
  • Perícia Criminal;
  • Secretariado;
  • Segurança no Trabalho.

Desafios

Altos índices de evasão e resistência de stakeholders

Além das questões financeiras, ponto comum para a evasão em ambas as modalidades de ensino, um dos pontos desafiadores é com relação ao engajamento estudantil. Esse talvez seja o principal motivo que leva a altas taxas de desistência nos cursos regulamentados totalmente EAD — em torno de 50% do total de matrículas (Folha de S. Paulo, 2017).

Por isso, uma das preocupações das IES que investem na modalidade EAD está em oferecer suporte para ampliar a experiência do aluno. Isso ressalta a importância de uma abordagem metodológica alinhada ao propósito do ensino pelo viés digital, por meio de mecanismos para vencer a resistência de stakeholders (partes interessadas). Em outras palavras, é preciso promover o desenvolvimento de uma cultura digital, tanto no corpo docente quanto nos alunos, de maneira a estreitar as relações interpessoais e demonstrar eficiência e qualidade no ensino.

Vale lembrar que antes de decidir se é melhor permanecer no ensino presencial ou ampliar a oferta EAD, é necessário amplo estudo estratégico e conhecimento das dores e necessidades dos estudantes. Para isso, realize profunda análise dos cenários, observe os concorrentes e discuta com o corpo gestor de sua IES a melhor alternativa. De qualquer forma, um fato é verídico: a modalidade EAD veio para ficar e é um sinal de que a transformação digital está modificando os paradigmas da educação superior.

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