Análises comparativas idealizadas pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), pesquisa patrocinada pelo SEBRAE, classificam os países em três grupos com características distintas em relação ao empreendedorismo. Neste estudo, o Brasil é classificado como país impulsionado pela inovação, ou seja, com elevado avanço da industrialização, ganhos em escala e predominância de organizações intensivas de capital.

As taxas de empreendedorismo são divididas entre TTE (taxa de empreendedorismo total), TEA (taxa de empreendedorismo inicial) e TEE (taxa de empreendedorismo estabelecido). Todas apresentam constante tendência de ascensão no Brasil:

Empreendedorismo no Ensino Superior

Fonte: GEM (2016)
Percentual da população de 18 a 64 anos

O crescimento maior de 2002 a 2016 se deu na taxa de empreendedores já estabelecidos (crescimento de 112,5% no período). Esse dado sugere que as pequenas e médias empresas estão crescendo no Brasil e que empreendedores têm obtido maior índice de sucesso em suas empresas, mantendo-se ativos no mercado.

Empreendedorismo no Ensino Superior 2

Fonte: Elaborado com dados do GEM (2016)
Taxa equivale ao percentual da população de 18 a 64 anos

Dos empreendedores iniciais (TEA), 57,4% empreendem por oportunidade e 42,4% por necessidade¹. O crescimento dos empreendedores “por oportunidade” é um forte indício de que os profissionais enxergam abertura no mercado e estão mais aptos à inovação, seja através de ideias ou produtos.

A formação dos empreendedores

 

Os dados a seguir ilustram as taxas de empreendedores (cujo negócio encontra-se estabelecido e em fase inicial) para cada escolaridade.

Empreendedorismo no Ensino Superior 3

Fonte: Elaborado com dados do GEM (2016)
Taxa equivale ao percentual da população de 18 a 64 anos

(A soma dos valores pode não totalizar 100% quando houverem recusas e/ou respostas ausentes)

A elevada taxa de empreendedores com pós-graduação demonstra que há espaço para criação de negócios bem estruturados, e por profissionais com prévia experiência. Nota-se, entretanto, representatividade das taxas de empreendedorismo iniciais de pessoas com “secundário completo” e de empreendedorismo estabelecido em empreendedores com “alguma educação”. Essas duas constatações indicam duas claras oportunidades de mercado.

Os dados sugerem que maior percentual de empreendedores iniciais possui curso superior, se comparados aos empreendedores já estabelecidos. A faixa etária de empreendedores iniciais se mostra também bastante inferior à de empreendedores já estabelecidos, indicando que a população jovem é um público potencial e mesmo aqueles que já possuem alguma formação, podem buscar um curso com esse foco. Entretanto, dada a menor taxa de formação superior de empreendedores já estabelecidos, entende-se que o público de pequenos e médios empresários pode também buscar a formação em Administração em EAD que siga a linha aqui proposta.

Diante destas hipóteses, podemos encontrar alunos com os seguintes perfis:

  1. Empreendedores que estão dando início a um negócio inovador e desejam adquirir noções que subsidiem seu plano de negócios, mas mais do que isso precisam de ferramentas, experiência e soluções práticas para as dúvidas e problemas que enfrentam;
  2. Micro, pequenos e médios empresários que já possuem um negócio estabelecido, por vezes fruto de um “empreendedorismo por necessidade”, e precisam do ferramental para melhor gerir seu negócio.

Para ambos os públicos, faz sentido que sua IES ofereça disciplinas reflexivas, que fomentem a inovação e dialoguem acerca dos desafios e oportunidades do universo empreendedor.

Disciplinas à distância podem ser também uma excelente opção para agradar a esse público, pois alguns já realizaram cursos em outras áreas de especialização e tem baixa disposição a se deslocar diariamente a uma faculdade, seja por já ter passado pelo processo anteriormente ou pela necessidade de flexibilidade de horários para continuar atuando em seu negócio.

Empreendedorismo e tecnologia no ensino superior

 

Grande parte das startups que têm prosperado no mercado se apoia no uso de tecnologias inovadoras. O Brasil, sendo classificado como país impulsionado pela inovação (GEM, 2017), segue esta direção de forma intensa. Jovens empreendedores e até mesmo gestores de pequenas e médias empresas precisam usar a tecnologia a seu favor para oferta de serviços, eficiência operacional e estratégia baseada em dados.

Uma saída para preparar esses profissionais para o mercado é trazer para as ementas tópicos que abordem inovação, tecnologia e análise de dados de forma estratégica. Autores como  Peterman e Kennedy (2003), Zhang, Guysters e Cloodt (2014) analisaram a relação entre educação empreendedora e a intenção de empreender, encontrando influência positiva do contato acadêmico com empreendedorismo e a intenção de montar seu próprio negócio.

Se seu curso está situado em uma das cidades com maior índice de empreendedorismo (SEBRAE, 2016), torna-se ainda mais importante que o contexto de inovação e empreendedorismo seja recorrente na matriz do curso – e converse com as disciplinas e ementas.

Empreendedorismo no Ensino Superior 4

Fonte: ENDEAVOR (2016).
Índice de cidades empreendedoras

São Paulo é a cidade que está no topo do ranking e se beneficia da economia, acesso a capital, e conectividade. É seguida por Florianópolis, que se destaca através do planejamento, políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, institucional e social (ENDEAVOR, 2016).

Referências

 

 

  1. ENDEAVOR. Índice de Cidades Empreendedoras. São Paulo: Endeavor Brasil. 2016.
  2. PETERMAN, Nicole E.; KENNEDY, Jessica. Enterprise education: Influencing students’ perceptions of entrepreneurship. Entrepreneurship theory and practice, v. 28, n. 2, p. 129-144, 2003.
  3. SEBRAE. Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil. São Paulo: Sebrae. 2016.
  4. ZHANG, Ying; DUYSTERS, Geert; CLOODT, Myriam. The role of entrepreneurship education as a predictor of university students’ entrepreneurial intention. International entrepreneurship and management journal, v. 10, n. 3, p. 623-641, 2014.
Luciana Maia

É Doutoranda em Administração de Empresas na linha de pesquisa de Finanças, pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e Mestre em Finanças pelo Centro Universitário FECAP (2014). Atualmente é pesquisadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV, Consultora Acadêmica para Administração e Ciências Contábeis na Saraiva Educação e leciona na pós-graduação e MBA da FECAP. Antes de se dedicar integralmente à carreira acadêmica, atuou em multinacionais como a Avon e Unilever, nas áreas de Compras, Logísitica, Vendas e Planejamento de Demanda.