O sucesso de uma Instituição de Ensino Superior (IES) passa necessariamente pelo reconhecimento de sua excelência quanto ao oferecimento de serviços educacionais. Como no Brasil a avaliação da qualidade universitária é realizada pelo governo federal por meio do Ranking do Índice Geral de Cursos (IGC), é fundamental que o gestor da IES conheça esse indicativo e saiba o que pode fazer para melhorar o desempenho da instituição.

Em um cenário mercadológico cada vez mais competitivo, e com o crescimento do número de instituições de ensino superior, especialmente as da rede privada, se destacar diante da concorrência torna-se um pré-requisito para o desenvolvimento do negócio. E o maior diferencial está diretamente relacionado ao ranqueamento da qualidade educacional da IES.

Considerando a importância do Ranking IGC para o posicionamento da IES entre as suas concorrentes e, consequentemente, para a imagem da instituição em relação ao seu público-alvo, preparamos este texto. Além de abordarmos as características e a composição desse ranqueamento, vamos apresentar e detalhar 6 técnicas que contribuem para melhorá-lo de forma significativa.

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O que é IGC?

Ainda que seja uma sigla bastante recorrente — e até mesmo popular no meio acadêmico — nem sempre está claro do que se trata o IGC. Por essa razão, é necessário especificar o que é esse índice e quais são os seus componentes e sua função. Faremos isso antes de abordar as técnicas úteis à melhoria no ranqueamento, propriamente ditas.

O IGC é um indicador de qualidade responsável por avaliar as Instituições de Educação Superior no Brasil, sendo utilizado como um ranking pelas IES. Em conjunto com outros indicadores — como o Conceito Preliminar de Curso (CPC), o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) e o Conceito Enade — o IGC compõe o grupo de instrumentos governamentais que avaliam o ensino superior.

De divulgação anual pelo Inep/MEC, o IGC resulta da média ponderada dos conceitos de graduação e de pós-graduação stricto sensu de cada instituição. A ponderação é realizada a partir do quantitativo de alunos regularmente matriculados nos cursos de graduação e de mestrado e doutorado. O resultado exibido é uma variável no intervalo de 1 a 5, a qual é transformada em conceito. Resultados iguais ou superiores a 3 pontos são considerados satisfatórios.

Para o cálculo dos cursos de pós-graduação stricto sensu, é utilizada a conversão de conceitos conferidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para o cálculo dos cursos de graduação, são usados os valores dos CPCs — um componente essencial para a construção do IGC.

CPC é obtido por meio das varáveis de insumo, do IDD e do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), de modo a combinar a mensuração de quatro diferentes dimensões: desempenho dos estudantes, valor agregado pelo processo formativo propiciado pelo curso, corpo docente e condições oferecidas para o desenvolvimento do processo formativo.

O IDD consiste na diferença entre o desempenho médio obtido pelo estudante e o desempenho que é esperado em seu curso. Já as variáveis de insumo são os dados relativos à infraestrutura, ao corpo docente e ao programa pedagógico, oriundos de respostas ao questionário socioeconômico do Enade e de informações do Censo da Educação Superior.

Tanto para o IGC quanto para o CPC, a base fundamental de cálculo é proveniente do Enade — instrumento que avalia o desempenho de estudantes de graduação e compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). O triênio considerado refere-se aos resultados do Enade — isso porque para calcular o IGC são usados dados dos CPCs do triênio anterior à data de avaliação, e a ponderação é feita pelo número de matrículas relativas aos anos correspondentes.

O IGC desempenha duas importantes funções. Em primeiro lugar, possibilita que a qualidade das Instituições de Ensino Superior seja medida e comparada, a fim de que possam ser tomadas medidas que visem à implantação de melhorias. Em segundo lugar, divulga os índices obtidos a toda a comunidade, o que pode orientar os futuros alunos na escolha da instituição de ensino em que pretendem estudar.

Avaliar a IES é fundamental para promover a melhoria de desempenho e garantir o desenvolvimento educacional. Nessa perspectiva, tanto as variáveis quantitativas quanto as qualitativas embasadas por indicadores mensuráveis, tais como o IGC, atuam para que não haja subjetividade no processo avaliativo. Ou seja, confere-se objetividade, conformidade e padronização no processo de avaliação.

Tendo em vista a relevância do IGC para a avaliação educacional, é fundamental que os gestores tomem medidas para tornar esse índice cada vez mais positivo para a instituição de ensino superior. Isso inclui monitoramento e análises constantes dos resultados do Enade, bem como a criação de estratégias que possam melhorar o desempenho dos estudantes nesse exame.

Há dois motivos principais para que a gestão da IES tenha essa postura. Primeiro, em razão da qualidade educacional da instituição, a qual reflete de forma direta na excelência de formação dos seus alunos. O segundo motivo é o marketing institucional, uma vez que a obtenção de um baixo conceito no IGC tende a ser prejudicial para a preservação da imagem da IES.

A seguir, vamos indicar e explicar ações que podem ser colocadas em prática para que o Índice Geral de Cursos de uma IES seja melhorado. Em conjunto, essas técnicas tendem não apenas a elevar o IGC, mas também a aumentar a captação de alunos, uma vez que contribuem para a melhoria educacional e podem funcionar como estratégias de marketing.

1. Fazer um benchmarking com as IES mais bem posicionadas

Tendo em vista que os dados do IGC são também utilizados para ranquear as instituições de ensino superior, nada mais natural do que verificar como está o desempenho da concorrência. Assim, observar, medir e analisar as características das IES mais bem posicionadas é uma forma de identificar os aspectos que melhor funcionam em cada uma delas e aplicá-los na própria instituição.

Todo esse processo comparativo pode ser desenvolvido por meio da realização de procedimentos de benchmarking. Essa estratégia consiste em um conjunto de técnicas usadas para observar e analisar de modo aprofundado o funcionamento de negócios pertencentes a um determinado segmento, a fim de verificar as boas práticas e, então, aplicá-las à própria empresa.

Para efetuar o benchmarking, é preciso que a instituição de ensino identifique as suas concorrentes diretas — tendo em vista principalmente a região de atuação, assim como os cursos oferecidos — e faça a checagem do posicionamento delas segundo o Ranking IGC. Em seguida, é importante que a IES defina os pontos que pretende avaliar em suas concorrentes, considerando a complexidade desse tipo de organização.

Nessa definição de indicadores, além do próprio IGC, podem ser avaliados índices de outros instrumentos avaliativos, como o CPC e o conceito Enade. Ao analisar esses medidores, a IES faz uma análise bastante abrangente, uma vez que é verificada uma série de variáveis, as quais têm naturezas bem distintas.

Em seguida, é importante que sejam investigadas informações sobre a percepção que os alunos da concorrência têm, o que ajuda a entender como é a relação entre cliente e empresa. Após todo esse levantamento, a IES deve comparar os dados obtidos, analisando os seus próprios resultados.

As estratégias de benchmarking permitem que a IES identifique e analise o desempenho que apresenta frente às suas concorrentes. Baseando-se nessas constatações, a instituição de ensino é capaz de definir planos de ação e otimizar as suas condições. Em consequência, é possível melhorar as variáveis consideradas nos processos avaliativos externos, que geram os diferentes índices.

2. Acompanhar o CPC e criar planos de ação para situações críticas

Como já mostrado, o Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um dos componentes mais importantes do cálculo feito para a obtenção do IGC pela instituição de ensino superior. Dessa maneira, se a IES tem como objetivo a melhoria do conceito do seu Índice Geral de Cursos, deve se preocupar com as condições de cada uma das variáveis que o compõem, incluindo o CPC.

Por se tratar de um indicativo da qualidade do curso, e não de toda a instituição, a análise do CPC permite o desenvolvimento de análises mais específicas e detalhadas sobre os fatores que incidem sobre a estrutura e o funcionamento de uma determinada graduação. Com esses dados, o gestor pode identificar onde se encontram os maiores gargalos da IES.

Outro aspecto que deve ser levado em conta é o fato de o CPC ser um indicador prévio da situação de um curso de graduação. Essa característica é muito relevante porque torna o índice transitório, ou seja, totalmente modificável em termos positivos, se forem tomadas as medidas necessárias para o alcance dos atributos considerados satisfatórios pelo Ministério da Educação.

Vale lembrar que o CPC é formado por diferentes variáveis retiradas do Enade, tais como desempenho dos estudantes, corpo docente, recursos didático-pedagógicos, infraestrutura e instalações. Para que os valores sejam consolidados e representem o que se espera de um curso, podem ser feitas visitas in loco para confirmar ou modificar o conceito preliminar, que, como o definitivo, varia entre 1 e 5.

Os cursos que recebem o CPC 1 e 2 passam obrigatoriamente pela visita dos avaliadores. Os cursos que obtêm o CPC igual ou maior a 3 têm a opção de receber ou não a visita da comissão avaliadora. Caso a opção seja por não receber a visita, o conceito preliminar se transforma em permanente, o que serve como referência para o processo de regulação dos cursos superiores no Brasil.

Depois que o processo avaliativo é consolidado, tem-se que os cursos com o conceito 3 atendem aos critérios de qualidade para funcionarem, enquanto os de conceito 5 são os cursos de excelência, que devem ser tomados como referência em termos de qualidade. Acompanhar a atribuição dos valores tanto para a própria instituição como para as concorrentes é fundamental para criar meios de aumentar o IGC.

Em situações críticas, nas quais algum curso recebe um conceito abaixo de 3, é fundamental que a IES elabore planos de ação. Nesses casos, é importante que a instituição avalie de forma aprofundada as suas condições e verifique quais pontos específicos estão dificultando o funcionamento esperado do curso. Feito isso, deve-se buscar as estratégias cabíveis à realização das melhorias necessárias.

Como serão feitas visitas in loco, a IES deverá se preparar adequadamente para passar por todo o processo. O primeiro passo é observar os indicadores de qualidade considerados e verificar o desempenho que a instituição obteve em cada um dos itens. Em seguida, deve-se buscar meios para realizar os ajustes de maneira a satisfazer os critérios. A estratégia adotada vai depender do tipo de adequação a ser feita, se em relação à infraestrutura, ao corpo docente, aos recursos didáticos disponíveis etc.

3. Ter um planejamento de contratação de docentes

instrumento de avaliação dos cursos de graduação — bacharelado e licenciatura — utilizado pelo Sinaes, sistema já mencionado no decorrer do texto, é estruturado em torno de três grandes dimensões: organização didático-pedagógica, corpo docente e instalações físicas. Esses três eixos são tipificados em variáveis específicas, às quais são atribuídos conceitos de 1 a 5, conforme condição atendida.

Considerando que esse instrumento é um dos componentes empregados para a obtenção de indicadores educacionais como o CPC e o IGC, é essencial que a IES se organize para alcançar o melhor conceito possível em cada variável. Ainda que os três eixos avaliados sejam igualmente importantes, a dimensão relacionada ao corpo docente chama atenção, haja vista o impactos financeiro e organizacional que pode gerar.

De modo geral, o instrumento avalia itens relativos ao tipo de formação, bem como à qualidade, quantidade e forma de dedicação dos professores. Com relação ao primeiro grande quesito, é verificada a titulação do docente, a qual tende a impactar diretamente as finanças da IES, considerando-se as diferenças salariais entre especialistas, mestres e doutores.

No que se refere ao segundo grupo de itens, são avaliados: o regime de trabalho (se parcial ou integral), o tempo de experiência no ensino superior, o quantitativo de alunos por turma em disciplina teórica, o número médio de disciplinas por docentes, bem como o desenvolvimento de pesquisa e produção científica. A maioria dessas condições incide sobre o número total de professores contratados pela IES.

Considerando que quanto maior a titulação e o tempo de dedicação semanal do professor, assim como quanto menor o número de disciplinas e de alunos por turma, mais altos serão os conceitos obtidos no instrumento, é fundamental que a IES faça um planejamento de contratação de docentes. Além disso, vale a pena estudar critérios de seleção de profissionais que sejam capaz de atender ao maior número de variáveis.

Assim, uma alternativa, é contratar determinado número de professores que, ao mesmo tempo, satisfaçam diferentes condições avaliadas positivamente: possuam titulação de mestre ou de doutor e publicações científicas, desenvolvam pesquisas em suas áreas de atuação e tenham experiência de, pelo menos, 5 anos no magistério superior.

Além disso, a preocupação com as características do corpo docente resulta também da qualidade que a própria IES deseja para o processo formativo dos seus estudantes, de modo que o planejamento tenha natureza financeira, mas também educacional. Para ser capaz de realizá-lo e colocá-lo em prática, a IES deve encarar os gastos com os professores como uma forma de investimento institucional.

4. Fazer uma boa análise de inconformidades

O posicionamento analítico do gestor diante do funcionamento da IES pode ser considerado um dos pilares para a melhoria dos indicadores educacionais. Por isso, antes mesmo de observar de forma crítica os pontos insatisfatórios da instituição que são indicados nas avaliações externas, é recomendável averiguar cotidianamente o comportamento da instituição.

Esse tipo de postura deve contar com ações de toda a equipe administrativa e pedagógica da IES, em conjunto aos próprios estudantes, uma vez que, além de não estar presente em todos os locais das instituições, o gestor necessita de dados mais específicos sobre o funcionamento institucional. Trata-se, portanto, de fazer também uma análise preliminar dos itens que não estão de acordo com o que se espera.

Para isso, é preciso definir uma estrutura organizacional e os instrumentos analíticos para a coleta de informações. Uma ferramenta útil é o questionário, que, com perguntas específicas a cada público-alvo, pode ser aplicado aos professores, demais funcionários e alunos da IES. Além disso, podem ser aproveitadas as reuniões de curso para a discussão de questões mais pontuais. De posse desses dados, é necessário analisá-los.

Feito esse acompanhamento prévio, é crucial a realização de análises das inconformidades oficiais, ou seja, as que foram apontadas nos instrumentos avaliativos externos, em especial, o IGC. Junto com a equipe, o gestor deve verificar atentamente o desempenho obtido em cada variável do indicador de qualidade, para, então, traçar estratégias de melhorias.

Como o IGC é calculado com base em informações provenientes de diferentes bases, entre as quais está o CPC, que, por sua vez, utiliza uma série de informações do Enade, as variáveis analisadas nesse exame também devem ser avaliadas. Isso significa que uma boa análise de inconformidades requer o detalhamento do desempenho obtido pela instituição no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes.

A boa notícia é que existe uma maneira prática e rápida de realizar esse detalhamento, e, portanto, de avaliar as inconformidades. O Resultado Enade, uma plataforma visual e interativa que permite fácil acesso aos dados do Enade, torna muito mais eficiente a análise feita pelo gestor da IES sobre os indicadores da sua instituição e das concorrentes.

5. Tomar cuidado com a flutuação de notas

Trata-se de uma estratégia que diz respeito ao acompanhamento das notas obtidas em diferentes esferas e a partir da submissão aos mais variados instrumentos. Isso significa que deve haver um monitoramento da IES com relação tanto às notas alcançadas pelos estudantes nas provas internas de checagem de aprendizagem e nos exames externos, quanto no que se refere aos conceitos obtidos pela instituição nos indicadores governamentais.

Esses cuidados são importantes porque todas as notas refletem condições específicas das turmas, dos cursos e da instituição como um todo. Assim, se o desempenho interno dos estudantes é monitorado e se são realizadas intervenções pedagógicas, quando necessário, há mais chances de eles construírem conhecimentos mais satisfatórios, os quais serão fundamentais na realização de provas externas, como o Enade.

As variáveis avaliadas nos indicadores de qualidade de curso e da instituição também não devem flutuar, já que a meta deve ser o crescimento dos conceitos, sem a oscilação negativa. Para que o IGC da IES possa alcançar esse patamar, é importante que as notas obtidas nos itens se modifiquem somente no sentido de atender às exigências feitas pelo Índice.

6. Formular um Plano de Desenvolvimento Institucional

O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) é um documento no qual são definidas tanto a missão da instituição de ensino superior, quanto as estratégias que serão traçadas para alcançar as metas e os objetivos que foram definidos. Em geral, fazem parte do PDI a estrutura organizacional, a atividade acadêmica, a filosofia de trabalho e as diretrizes pedagógicas da instituição.

Tendo em vista a constituição do PDI, nele devem estar previstas as ações que a instituição pretende desenvolver em prol não apenas do funcionamento, mas também do alcance da qualidade dos seus cursos superiores. Como o IGC fornece dados do desempenho da IES, indicando o que precisa ser melhorado, é importante que o Índice seja considerado no Plano de Desenvolvimento Institucional.

Portanto, no momento da formulação ou da reelaboração do PDI, a IES deve levar em conta o IGC sob dois aspectos fundamentais. Um deles é a consideração das variáveis avaliadas por esse indicador, e, consequentemente, das condições de qualidade educacional recomendadas. O outro é a incorporação de práticas e elementos considerados insuficientes em avaliações do IGC sobre a IES.

Como mostrado ao longo do texto, é tão importante quanto possível melhorar o Ranking IGC de uma instituição de ensino. Para tornar os resultados cada vez mais satisfatórios, vale a pena que a gestão da IES implemente técnicas com a finalidade de aumentar o índice, as quais, ao mesmo tempo, tendem a conferir maior qualidade educacional, além de dar visibilidade institucional positiva.

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