Lidar com uma geração de jovens que permanece o dia inteiro conectada à internet tem sido um desafio para as IES. O modelo tradicional de ensino, com aulas expositivas e memorização de conteúdos, já não é suficiente para garantir um aprendizado que corresponda às atuais expectativas dos alunos e, tampouco, do mercado de trabalho.

Não faz mais sentido uma escola padronizada, que ensina e avalia a todos de forma igual e exige resultados previsíveis (MORAN, 2017). No entanto, não raro são vistos instrumentos de avaliação na educação superior embasados na concepção de certo ou errado.

A atribuição de notas com fins meramente classificatórios, além de poder ser uma ferramenta de sanção contra o aluno, pode estigmatizá-lo quando o resultado não for o esperado. Em ambos os lados (estudante e professor) há perdas significativas, as quais também se estendem para a instituição de ensino.

Há alguns anos, no entanto, educadores estão se mobilizando para desenvolver modelos de aprendizagem que tornem o aluno protagonista na construção do seu conhecimento. Entre os modelos que mais têm dado certo estão as Metodologias Ativas.

Por meio delas, a educação formal deixa de se restringir somente à sala de aula e se estende aos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor precisa seguir comunicando-se face a face com os alunos, mas também digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e com cada um (MORAN, 2017).

Uma pesquisa do National Training Laboratory (Washington, EUA) revelou que quanto mais um conhecimento for aprendido por meio da prática, maior será a retenção, chegando a 90% do conteúdo trabalhado. Por outro lado, o aprendizado por meio de exposição, como palestras, resulta em apenas 20% de retenção.

As metodologias ativas incentivam maior comprometimento dos alunos no desenvolvimento das propostas e permitem ao professor dar feedbacks necessários à viabilização das soluções frente às discrepâncias entre a teoria e a prática.

O aluno, por sua vez, tem condições de desenvolver o perfil de um futuro profissional qualificado para o exercício da profissão com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos (Resolução CNE/CES 3/2001, curso de Enfermagem).

Um relatório da Academia Nacional de Ciências norte-americana (2014) apontou que a aprendizagem ativa leva ao aumento do desempenho em exames. Já as taxas de reprovação de alunos no método tradicional aumentam 55% em relação às observadas no aprendizado ativo.

Para as IES, apostar em aprendizagem ativa significa galgar reconhecimento. O ENADE, por exemplo, tem sido um importante termômetro, tanto para alunos quando para as instituições.

Com resultados positivos (e elevados), os estudantes tendem a olhar com maior confiança a universidade. Diante de uma avaliação positiva de seus cursos, a própria IES também fortalece sua imagem perante a comunidade.

Confira a seguir algumas das principais metodologias ativas utilizadas nas universidades atualmente:

 

Peer instruction

Essa metodologia foi desenvolvida pelo físico e educador neerlandês Eric Mazur, professor da Universidade de Harvard. O método consiste em que o aluno receba material de apoio para estudo antes de ir para a sala de aula.

Com base no conteúdo, o aluno vai responder a questionamentos via Learning Management System (LMS). Antes de ministrar as aulas, o professor verifica quais são as questões mais problemáticas a serem trabalhadas com o grupo.

Os debates são intercalados com Concept Tests, respondidos durante a aula com um sistema interativo tipo clicker, a fim de que as dificuldades sejam expostas. Nesses testes os alunos têm tempo para pensar sobre as questões e discutir argumentos até encontrarem a resposta correta.

Essa metodologia obriga alunos pensarem sobre seus argumentos e avaliar seu nível de compreensão sobre os conceitos antes de a aula ser finalizada.

Foi utilizada inicialmente na disciplina introdutória de Física Aplicada e atualmente está sendo introduzida em outros cursos e disciplinas, inclusive sendo usada para atrair alunos para as áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (WATKINS; MAZUR, 2013).

Flipped classroom

Em português, “sala de aula invertida”. Nessa metodologia, a ideia é promover aulas mais participativas e menos expositivas de maneira a engajar mais os alunos e valorizar o tempo e o conhecimento do professor.

O aluno estuda os conteúdos fora do ambiente da universidade e leva para a sala de aula real os objetos de discussão, tendo o mestre como um tutor em vez de expositor. Os conteúdos inéditos são oferecidos aos alunos por meio de textos ou videoaulas que demonstram conceitos básicos e resolvem exercícios como exemplos.

De acordo com um levantamento feito na universidade norte-americana de British Columbia, aumentou em 20% a presença e 40% a participação dos alunos após a implantação do modelo.

Além disso, as notas desses estudantes superaram em duas vezes as das classes que se mantinham na metodologia tradicional.

Já na Universidade de Harvard, professores das classes de Álgebra fizeram um estudo ao longo de dez anos com alunos inscritos na metodologia flipped classroom e constataram ganhos de aprendizagem de 49% a 74% em relação aos alunos inscritos em turmas tradicionais.

Blended learning

Trata-se de uma modalidade que combina aspectos online e offline, com o objetivo de obter o melhor resultado possível entre os alunos.

Trata-se de um termo difundido pelo Massachusetts Institute of Technology, que assim define estruturas de ensino que utilizam mais de um método de aprendizagem ou de formação, dentro ou fora da escola.

Diferentes meios podem ser utilizados como canais de difusão do conteúdo, tais como palestras, debates, prática orientada, estudos de caso, simulações, assim como as formas de entrega podem ser tanto salas de aula ao vivo ou online.

A entrega divide-se em dois formatos: síncrono e assíncrono.

O primeiro significa que todos os alunos estão participando da atividade proposta ao mesmo tempo. Os webinars, as videoconferências e os próprios debates em sala de aula são alguns exemplos. A principal vantagem desse modo é a participação simultânea do grupo, gerando uma troca em tempo real.

O modo assíncrono, por sua vez, é individual. O aluno vai se utilizar de plataformas de aprendizagem, que normalmente são programas construídos para e-learning, e vai desenvolver as atividades de acordo com seus horários e velocidade. Dessa forma, há flexibilidade de tempo, e o aluno tem condições de avaliar o conteúdo e refletir sobre quais possíveis respostas deve dar. A pressão é atenuada.

Team beased learning

Estratégia muito utilizada no ensino da Física e em áreas de Ciências da Saúde e Administração em universidades norte-americanas. O método tem como foco desenvolver habilidades de trabalho colaborativo.

Sua estrutura envolve o gerenciamento de equipes de aprendizagem, tarefas de preparação e aplicação de conceitos, feedback constante e avaliação entre os colegas. A ideia central é que os alunos se sintam responsáveis pela própria aprendizagem e pela dos colegas (MICHAELSEN, KNIGHT; FINK, 2004).

O processo da acontece a partir do estudo prévio de materiais concedidos pelo professor. Na sala de aula ocorrem testes individuais e em equipe com base no conteúdo estudado, bem como uma breve explanação oral por parte do professor. Na sequência, são realizadas tarefas e há discussão entre as equipes. Essas tarefas são intercaladas com atividades individuais. Toda a dinâmica pode levar algumas aulas.

Posições de vanguarda e incentivo à prática dos estudantes no processo de aprendizado são elementos indispensáveis para refinar a avaliação na educação superior, bem como aumentar o número de alunos na instituição e mantê-los até o fim do curso. Clique aqui para saber mais sobre a importância de apoiar o aluno na transição entre o ensino médio e o superior.